A exoneração do secretário-geral da Câmara Municipal de Arcos, Dyenderson Mateus Rodrigues Belchior, abre um novo capítulo na discussão sobre a gestão administrativa da Casa Legislativa. O servidor ocupava um cargo comissionado e recebia remuneração líquida de R$ 5.415,42, valor superior ao subsídio líquido recebido por um vereador.
Além da remuneração mensal, dados do Portal da Transparência apontam que Dyenderson Mateus Rodrigues Belchior recebeu mais de R$ 13.800,00 em diárias entre 1º de janeiro e 2 de julho de 2026, valor que também passa a integrar os questionamentos sobre os gastos da Câmara Municipal.
A decisão ocorre em meio à repercussão da reportagem publicada pelo Conexão Arcos sobre o pagamento de diárias na Câmara Municipal. O levantamento revelou gastos expressivos com viagens e, segundo novas informações obtidas pela reportagem, os valores podem ser ainda maiores do que os inicialmente divulgados.
O caso desperta um questionamento inevitável: a Câmara começa a cortar cargos, mas permanece sem responder aos principais pontos levantados sobre a utilização de recursos públicos em diárias.
Um dos pontos que mais chama a atenção é o volume de recursos destinados ao motorista da Câmara Municipal. Entre 1º de janeiro e 21 de julho de 2026, foram pagos mais de R$ 25 mil em diárias pagos ao motorista da Câmara, valor que, por si só, exige explicações detalhadas sobre os deslocamentos realizados, os objetivos das viagens, os resultados obtidos e o efetivo interesse público de cada uma delas.
Também chama a atenção o fato de o então secretário-geral exonerado ter participado de cursos e capacitações custeados pela Câmara, incluindo viagens para Brasília, conforme registros oficiais.
A discussão, contudo, vai além da exoneração de um servidor. O que está em análise é a forma como os recursos públicos vêm sendo administrados.
Quando o dinheiro é público, transparência não pode ser seletiva. Não basta adotar medidas administrativas pontuais se permanecem sem resposta questionamentos sobre despesas que somam dezenas de milhares de reais.
O presidente da Câmara, vereador Hernane Honório Dias, tem o dever institucional de prestar esclarecimentos à sociedade sobre cada diária autorizada, especialmente diante da repercussão do caso. Fiscalizar o Executivo é uma das principais atribuições do Poder Legislativo, mas essa responsabilidade começa pela própria administração da Câmara.
Até o momento, a Câmara Municipal não apresentou uma prestação de contas detalhada que demonstre à população os resultados concretos dessas viagens. Mais do que a legalidade dos pagamentos, o que se discute é a necessidade, a economicidade e o benefício efetivo proporcionado por cada deslocamento custeado com dinheiro público.
O Conexão Arcos continuará analisando documentos oficiais, atos administrativos e informações do Portal da Transparência para aprofundar o levantamento sobre as diárias concedidas em 2026. Caso existam justificativas técnicas e legais para todas as despesas, elas terão espaço neste veículo. Da mesma forma, se forem identificadas inconsistências, a população será informada com a mesma transparência.
A sociedade não espera apenas discursos sobre moralidade administrativa. Espera respostas, documentos e prestação de contas.
O espaço permanece aberto para manifestação da Presidência da Câmara Municipal de Arcos e dos demais envolvidos sobre os fatos abordados nesta reportagem.

