Em meio a uma série de reclamações sobre falhas na saúde pública e insatisfação crescente da população, uma nova questão tem chamado a atenção dos moradores de Arcos: a instalação de cerca de 30 totens digitais em repartições públicas do município.
A crítica não gira em torno de tecnologia ou modernização; ao contrário, esse tipo de ferramenta pode, quando bem utilizada, prestar serviços relevantes à população. O problema apontado por cidadãos está no conteúdo exibido.
Segundo relatos, os equipamentos estariam sendo utilizados não para divulgar serviços da prefeitura, campanhas educativas ou informações de utilidade pública, mas para promover diretamente a imagem do prefeito, Wellington Roque.
A percepção que cresce entre parte da população é de que os totens se transformaram em vitrines de promoção pessoal financiadas com recursos públicos. Em vez de informar, orientam pouco. Em vez de servir, projetam.
E o contexto torna tudo mais sensível.
Enquanto moradores recorrem às redes sociais para relatar problemas básicos, especialmente na área da saúde, a presença desses dispositivos reforça a sensação de desconexão entre a gestão municipal e as demandas reais da população. Para muitos, soa como um esforço de construção de imagem em meio a um cenário que exige, antes de tudo, respostas concretas.
Há também um desgaste simbólico. O prefeito, que em outro momento foi reconhecido por sua atuação como médico, agora enfrenta críticas de cidadãos que dizem não se reconhecer mais na gestão atual. Em comentários e conversas públicas, cresce a rejeição; não apenas às decisões administrativas, mas à forma como a comunicação tem sido conduzida.
Nesse cenário, os totens deixam de ser apenas equipamentos. Tornam-se símbolos.
Símbolos de uma gestão que, na visão de críticos, investe em visibilidade pessoal enquanto áreas essenciais seguem carentes. Símbolos de um desequilíbrio entre o que é prioridade e o que é exposição.
A questão que fica não é apenas sobre custo ou utilidade, mas sobre princípio.
Recursos públicos devem servir ao interesse coletivo. Quando passam a alimentar estratégias de promoção individual, a linha entre comunicação institucional e marketing pessoal se torna perigosamente tênue.
E, em Arcos, essa linha; ao que tudo indica; já foi cruzada.
