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Home » Sem ação, sem controle: Arcos assiste à dengue sair do controle e lotar hospital
Agora

Sem ação, sem controle: Arcos assiste à dengue sair do controle e lotar hospital

Marcelo RibeiroPor Marcelo Ribeiro17 de abril de 2026Atualizada:17 de abril de 2026Nenhum comentário3 minutos de leitura
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A dengue voltou a crescer em ritmo acelerado em Arcos e escancarou, mais uma vez, a fragilidade da resposta do poder público diante de um problema que já deixou de ser surpresa há anos. Em uma cidade de cerca de 42 mil habitantes, os sinais de surto estão por toda parte; e, dentro das unidades de saúde, já são rotina.

No Hospital São José, referência no atendimento local, o cenário é de pressão constante. Pacientes com sintomas suspeitos de dengue se acumulam, enfrentando demora, estrutura limitada e um sistema que claramente não foi preparado para absorver uma demanda crescente. A sobrecarga não é pontual; é reflexo direto de uma prevenção que falhou antes mesmo dos primeiros casos aparecerem.

Os números confirmam o alerta. Em 2025, Arcos já registrou crescimento acelerado de notificações, com dezenas de casos confirmados em poucas semanas e internações em decorrência da doença. O padrão é conhecido: aumento rápido, resposta tardia e medidas emergenciais que chegam quando o problema já está instalado.

E o que preocupa ainda mais é o que vem pela frente.

Projeções baseadas no cenário atual indicam que, mantidas as condições de abandono urbano; como lotes sujos, acúmulo de lixo, água parada e falta de capina; o município pode enfrentar, em 2026, um salto alarmante nos casos. A estimativa aponta para até 3.500 notificações e cerca de 2.000 casos confirmados ao longo do ano, com aumento significativo de internações e risco real de mortes.

Não se trata de alarmismo. Trata-se de consequência.

Enquanto isso, medidas básicas de combate ao mosquito seguem ausentes ou insuficientes. Um dos exemplos mais simbólicos é a ausência do carro fumacê nas ruas; ferramenta amplamente utilizada em momentos críticos para conter a proliferação do mosquito. Sua não utilização levanta questionamentos inevitáveis: onde está a ação preventiva? Onde está o plano de contingência?

A responsabilidade não pode ser transferida exclusivamente à população. Embora o cuidado individual seja essencial, cabe ao município liderar as estratégias de combate, com fiscalização rigorosa de lotes, campanhas educativas permanentes e ações efetivas de controle vetorial. Sem isso, o combate à dengue se torna desigual; e ineficaz.

A situação atual indica que Arcos pode já estar diante de um surto em formação. A diferença entre conter ou enfrentar uma epidemia depende, agora, da capacidade de resposta imediata do Executivo e da Secretaria Municipal de Saúde.

Ignorar os sinais é permitir que o problema cresça.

E, quando a dengue avança, o preço é pago em filas, internações e vidas colocadas em risco.

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Marcelo Ribeiro
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