Uma publicação feita por profissionais de uma unidade de saúde de Arcos nas redes sociais gerou repercussão ao exibir testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites acompanhados da frase “Aqueles testes que fazemos e dá orgulho”. Embora a postagem mostre apenas exames com resultados não reagentes e não identifique pacientes, o conteúdo reacendeu um debate importante: celebrar um resultado negativo pode reforçar o preconceito contra quem recebe um diagnóstico positivo?


Especialistas em infectologia e saúde pública defendem que o combate ao HIV passa também pela forma como a sociedade e os próprios profissionais de saúde comunicam o tema. O diagnóstico positivo não deve ser associado à vergonha ou ao fracasso. Atualmente, pessoas vivendo com HIV podem levar uma vida normal e, quando mantêm carga viral indetectável por meio do tratamento, não transmitem o vírus por via sexual.
O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem estabelece o dever de preservar a dignidade, a privacidade e o sigilo das pessoas atendidas. Embora a publicação não identifique pacientes, especialistas ressaltam que a comunicação de profissionais da saúde deve evitar mensagens que possam reforçar estigmas ou discriminações, especialmente em relação a doenças historicamente marcadas pelo preconceito.
