Um problema silencioso, mas profundamente grave, começa a ecoar com mais força entre as moradoras de Arcos: a dificuldade de acesso ao atendimento ginecológico na rede pública. Relatos recentes publicados em redes sociais expõem uma realidade que, para muitas mulheres, deixou de ser apenas incômoda e passou a ser perigosa.
A denúncia ganhou visibilidade após uma publicação da moradora Cíntia Campos, que chamou a atenção para a ausência de atendimento ginecológico no Sistema Único de Saúde no município. No texto, ela destaca que o acesso a esse tipo de cuidado não é um privilégio, mas um direito básico garantido a todas as mulheres.
A postagem rapidamente gerou engajamento e revelou uma corrente de relatos preocupantes. Entre eles, o depoimento de uma mulher que afirma ter perdido o filho após ficar um mês sem acompanhamento adequado. Casos como esse escancaram que a falta de assistência não se limita a desconfortos ou atrasos, mas pode ter consequências irreversíveis.

A orientação para que a população recorra à Ouvidoria do SUS, pelo número 136, surge como uma tentativa de pressionar o poder público. No entanto, a necessidade de mobilização popular para garantir um serviço essencial levanta questionamentos: por que um direito tão básico depende de insistência, denúncia e exposição para ser cumprido?
Enquanto isso, mulheres de Arcos seguem em uma espécie de peregrinação por atendimento, muitas vezes recorrendo ao setor privado, quando possível, ou simplesmente adiando cuidados essenciais. O resultado é um cenário onde a prevenção falha, diagnósticos se atrasam e vidas são colocadas em risco.
A situação exige resposta urgente das autoridades municipais. Saúde pública não pode funcionar como um jogo de espera, onde quem precisa corre contra o tempo e contra a própria sorte. Em Arcos, o que está em jogo não é apenas a eficiência do sistema, mas a dignidade e a segurança de suas cidadãs.
