Recurso anunciado pelo Governo de Minas em 2024 segue sem chegar à instituição enquanto famílias aguardam respostas da Prefeitura
Enquanto discursos sobre inclusão e apoio às pessoas com deficiência ecoavam nos palcos do XV Congresso da Rede Mineira das Apaes, em Belo Horizonte, a realidade em Arcos parece ter seguido um caminho completamente diferente: o dinheiro foi anunciado, o projeto foi aprovado, a documentação foi entregue, mas os bens nunca chegaram à Apae de Arcos.
O valor de R$ 125 mil, destinado à instituição por meio do pacote de R$ 45 milhões anunciados pelo então secretário-chefe da Casa Civil de Minas Gerais, Marcelo Aro, deveria ter sido utilizado para aquisição de bens permanentes e melhorias estruturais. Segundo relatos e documentos apresentados, a Apae fez sua parte. Elaborou projeto, providenciou orçamentos, encaminhou toda a documentação exigida e obteve aprovação do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS).
Depois disso, o processo simplesmente parou.
A denúncia levanta uma pergunta inevitável e incômoda:
ONDE ESTÁ O DINHEIRO DA APAE DE ARCOS?
Segundo informações repassadas pela ex-coordenadora da instituição, toda a tramitação necessária foi concluída ainda em 2024. O recurso teria sido transferido por meio das contas das prefeituras, ficando sob responsabilidade da administração municipal dar andamento aos trâmites finais para aquisição e entrega dos equipamentos previstos no projeto.
Mas a atual gestão não teria prosseguido com o processo.
O caso ganhou ainda mais repercussão após uma mensagem enviada pela equipe do ex-secretário Marcelo Aro à ex-coordenadora da Apae de Arcos. Na conversa, a representante do gabinete destaca justamente a importância dos recursos destinados às Apaes e das melhorias proporcionadas pelos investimentos públicos:
“Boa tarde, Marlene! Tudo bem?
Meu nome é Joana e faço parte da equipe do Marcelo Aro.
Gostaria de te pedir um grande favor, se for possível. Vocês poderiam gravar um vídeo relembrando a importância das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência e dos recursos destinados às Apaes, como as melhorias realizadas no Centro-Dia, viabilizadas por intermédio do Marcelo?
Seria muito importante que esse registro trouxesse o impacto dessas iniciativas no dia a dia de vocês, mostrando como ações assim fazem diferença na vida das pessoas com deficiência, das pessoas com doenças raras e também no fortalecimento do trabalho realizado pelas próprias Apaes.”
Foi justamente após esse contato que a ex-coordenadora descobriu que os bens relacionados ao projeto ainda não haviam sido entregues à instituição.

Indignada, ela buscou esclarecimentos e recebeu outra resposta direta da equipe ligada ao ex-secretário:
“O recurso foi enviado em 2024, então realmente já era para o repasse ter sido realizado.”
A declaração desmonta qualquer tentativa de empurrar a responsabilidade para burocracias externas ou falta de liberação estadual. Se o dinheiro foi encaminhado, aprovado e o processo estava regularizado, por que a Apae de Arcos ainda não recebeu os bens?
Outro ponto que aumenta ainda mais os questionamentos é que a Apae de Arcos já recebeu recursos por outros caminhos institucionais sem enfrentar o mesmo problema. Um exemplo citado é a verba destinada pelo deputado estadual Duarte Bechir, que teria sido encaminhada diretamente para a conta da própria Apae após aprovação do projeto. Segundo as informações apresentadas, esse recurso já está sendo utilizado normalmente pela instituição.
A situação gera revolta principalmente porque a instituição atende pessoas com deficiência, famílias vulneráveis e cidadãos que dependem diretamente da estrutura oferecida pela Apae. Não se trata de obra estética, propaganda política ou evento festivo. Trata-se de recurso destinado ao atendimento humano, inclusão social e dignidade.
E o silêncio da administração municipal diante do caso só amplia a indignação.
Até o momento, não houve nota pública detalhando:
- se o recurso entrou efetivamente nos cofres do município;
- onde o valor se encontra atualmente;
- qual o motivo da paralisação;
- quem foi o responsável pela não continuidade do processo;
- e quando os bens finalmente serão entregues à Apae.
O mais preocupante é que, enquanto discursos políticos sobre inclusão são repetidos em eventos e redes sociais, uma instituição essencial para dezenas de famílias segue aguardando aquilo que já deveria ter sido entregue há muito tempo.
A população de Arcos merece respostas claras.
A Apae merece respeito.
E as famílias atendidas merecem transparência.
Porque quando dinheiro público destinado às pessoas com deficiência desaparece no meio da burocracia administrativa, o problema deixa de ser apenas atraso. Passa a ser uma questão moral, administrativa e de responsabilidade pública.
