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Arcos e Região

CAPS em situação precária: “A dignidade só existe quando a obra ficar pronta?”, questiona vereadora em Arcos

Jaiane Soares voltou a cobrar providências imediatas para usuários da saúde mental e denunciou problemas estruturais em diferentes prédios públicos de Arcos
Marcelo RibeiroPor Marcelo Ribeiro25 de agosto de 2026Nenhum comentário5 minutos de leitura
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A situação estrutural de unidades públicas de Arcos voltou ao centro do debate na Câmara Municipal. Durante pronunciamento, a vereadora Jaiane Soares apresentou imagens e fez críticas às condições de atendimento em equipamentos públicos, com atenção especial ao CAPS, onde, segundo ela, problemas básicos de infraestrutura continuam sem solução.

A parlamentar questionou o argumento de que a construção de uma nova sede resolveria o problema e afirmou que a dignidade dos usuários da saúde mental não pode depender da conclusão de uma obra futura.

Segundo Jaiane, entre os problemas existentes no CAPS está uma situação relacionada à válvula do banheiro, que, conforme relatado por ela, continuaria sem solução.

“Será que vocês estavam preocupados realmente com a dignidade?”, questionou a vereadora durante o pronunciamento.

Nova sede não resolve o problema de hoje

A crítica de Jaiane se concentra justamente no período de transição.

De acordo com a parlamentar, uma nova estrutura para o CAPS ainda não estaria pronta e ela questionou se já existiriam projeto e licitação para a construção.

A vereadora levantou uma pergunta que atinge diretamente a administração municipal:

até que uma eventual nova sede fique pronta, em quais condições os usuários continuarão sendo atendidos?

Para Jaiane, não é suficiente afirmar que haverá uma estrutura melhor no futuro enquanto os usuários continuam utilizando uma unidade que, segundo sua denúncia, apresenta problemas básicos atualmente.

“Não se comova, resolva”, afirmou a parlamentar em outro momento do pronunciamento.

A crítica coloca em discussão um princípio básico da administração pública: obras futuras não eliminam a obrigação de garantir condições adequadas no presente.

Banheiro, atendimento e privacidade

O CAPS não foi o único equipamento citado.

A vereadora apresentou imagens que, segundo ela, mostram problemas em diferentes prédios públicos municipais.

No caso do CRAS, Jaiane relatou dificuldades relacionadas à estrutura dos espaços de atendimento psicológico e de assistência social. Segundo a parlamentar, usuários precisariam compartilhar ambientes sem a privacidade necessária para relatar problemas pessoais e buscar atendimento.

“Não se consegue fazer uma parede e uma sala de atendimento para o atendimento psicológico e para o atendimento da assistente social”, afirmou.

Se confirmada, a situação levanta uma preocupação que vai além da estética ou conservação do imóvel: a qualidade e a privacidade do atendimento oferecido à população.

Teto, rachaduras e áreas interditadas

Durante o pronunciamento, Jaiane também exibiu imagens do Lactario, apontando problemas no teto e afirmando que uma situação já observada anteriormente permaneceria sem solução.

A vereadora mencionou ainda rachaduras, problemas no piso e áreas interditadas em equipamentos públicos.

Segundo ela, também existem problemas em unidades de saúde e escolas.

Entre os exemplos citados estão um PSF, a escola do Santo Antônio e outras estruturas municipais.

Em uma das críticas mais fortes, a parlamentar afirmou ter encontrado situação que classificou como extremamente preocupante em um posto de saúde, mencionando a presença de fezes de ratos caindo do teto.

Essa afirmação, por sua gravidade, precisa ser verificada documentalmente e por meio de inspeção no local.

“A dignidade está garantida” apenas depois da obra?

O questionamento envolvendo o CAPS ganhou um tom ainda mais contundente quando Jaiane relacionou a promessa de uma nova estrutura à realidade enfrentada atualmente pelos usuários.

Segundo ela, o financiamento aprovado pelo município seria utilizado para viabilizar melhorias estruturais, mas isso não significaria que os problemas existentes tenham deixado de exigir solução imediata.

A parlamentar ironizou a situação ao questionar se, até a conclusão da obra, os usuários deveriam continuar utilizando um banheiro nas condições denunciadas.

A pergunta é simples:

quem precisa de atendimento de saúde mental pode esperar meses ou anos pela construção de uma nova sede para ter acesso a condições mínimas de dignidade?

O problema não é apenas o CAPS

O pronunciamento aponta para uma questão mais ampla.

As imagens apresentadas por Jaiane mostram, segundo seu relato, uma série de problemas em prédios públicos municipais.

CAPS, Lactário, CRAS, PSFs e escolas foram citados.

A vereadora classificou o cenário como “abandono” e “esquecimento” e questionou as prioridades da administração pública.

O debate, portanto, não deveria se limitar à construção de novos prédios.

É preciso perguntar:

quanto será necessário investir para recuperar as estruturas existentes?

Quais unidades foram vistoriadas?

Quais reformas estão programadas?

Quais apresentam risco para usuários e servidores?

Existe um cronograma de manutenção preventiva e corretiva?

E, principalmente:

quanto tempo a população terá de esperar para que problemas básicos sejam resolvidos?

Usuários não podem esperar por uma obra

O caso do CAPS resume a discussão.

Uma nova sede pode representar avanço e melhorar a qualidade do atendimento no futuro. Mas isso não elimina a responsabilidade do poder público de manter a estrutura atualmente utilizada em condições adequadas enquanto a nova unidade não estiver funcionando.

Para quem utiliza o serviço, a necessidade é imediata.

A pessoa que procura atendimento psicológico ou acompanhamento em saúde mental não pode simplesmente esperar a conclusão de uma obra para ter acesso a um banheiro adequado, ambiente seguro e condições mínimas de atendimento.

A saúde mental exige cuidado permanente.

E a estrutura onde esse cuidado acontece também precisa ser tratada como prioridade.

A pergunta que fica

A vereadora encerrou sua manifestação com uma cobrança mais ampla pela melhoria da qualidade dos serviços públicos.

O questionamento que fica para a administração municipal é objetivo:

se existem recursos para construir novas estruturas, existe também planejamento para manter dignamente aquelas que estão sendo utilizadas hoje?

A população não utiliza projetos.

Utiliza prédios.

Não utiliza promessas.

Utiliza serviços.

E, enquanto uma nova sede do CAPS não estiver pronta e funcionando, são os usuários atuais que continuarão dependendo da estrutura existente.

A dignidade não pode ser uma promessa para amanhã. Para quem precisa do serviço público, ela precisa existir hoje.

O Conexão Arcos deixa espaço aberto para que a Prefeitura de Arcos apresente sua versão sobre as condições atuais do CAPS, do Lactar, do CRAS e das demais unidades citadas pela vereadora, além de informar quais medidas de manutenção ou reforma estão previstas para cada equipamento.

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