A Prefeitura de Arcos apresentou a realização da etapa regional dos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG) como uma oportunidade para movimentar a cidade, fortalecer o esporte e também ampliar a pontuação do município no ICMS Esportivo. O evento foi realizado em 2025, reuniu atletas de diversas cidades e contou com oito modalidades esportivas. O problema é que, enquanto o discurso oficial destacava o ICMS, a gestão municipal, por meio da Secretaria Municipal de Esportes, deixou de cadastrar adequadamente eventos e atividades esportivas que poderiam contribuir para a pontuação de Arcos.
O resultado aparece nos números.
Arcos, que já esteve entre os municípios de melhor desempenho no ICMS Esportivo, chegou ao 395º lugar no resultado preliminar referente ao ano-base 2025. A queda ocorre depois de uma redução expressiva da pontuação: de aproximadamente 1.984,5 pontos em 2023 para 1.043 pontos em 2024, uma retração de 47,4%.
JEMG foi apresentado como investimento também no ICMS
Quando anunciou Arcos como sede da etapa regional do JEMG, a Prefeitura destacou a importância do evento para o esporte e para a economia local. Entre os argumentos utilizados pela administração estava também a possibilidade de o município aproveitar a movimentação esportiva para melhorar sua posição no ICMS Esportivo.
A cidade recebeu competições de atletismo, basquete, basquete 3×3, futsal, handebol, voleibol, vôlei de praia e xadrez.
A estrutura mobilizada foi significativa. A Prefeitura chegou a investir na construção de uma nova pista de atletismo para receber a competição.
Mas existe uma diferença fundamental entre realizar o JEMG e aproveitar administrativamente o evento para fins de pontuação.
O ICMS Esportivo exige cadastro e comprovação das atividades dentro das regras estabelecidas pelo Estado. A responsabilidade pela organização dessas informações, no âmbito municipal, é da estrutura responsável pela política esportiva.
No caso de Arcos, a responsabilidade recai diretamente sobre a Secretaria Municipal de Esportes.
O discurso era ICMS. A gestão dos cadastros não acompanhou
É justamente essa contradição que precisa ser esclarecida.
De um lado, a administração municipal utilizou o ICMS Esportivo como um dos argumentos para valorizar a realização de grandes eventos na cidade.
De outro, os dados da apuração estadual mostram uma perda expressiva de pontuação e indicam que atividades esportivas realizadas em Arcos não foram devidamente cadastradas para gerar os respectivos pontos.
Não basta trazer o JEMG para Arcos. É preciso fazer a gestão necessária para que o evento produza também o resultado administrativo esperado.
Se o município recebe milhares de atletas, mobiliza servidores, utiliza equipamentos públicos e investe recursos para sediar uma competição, mas não consegue transformar adequadamente essa atividade em pontuação no ICMS Esportivo, a conta precisa ser discutida.
A queda começou antes do JEMG
Outro dado desmonta qualquer tentativa de atribuir o problema exclusivamente ao resultado de 2025.
A pontuação de Arcos já havia despencado em 2024.
Em 2023, foram aproximadamente 1.984,5 pontos.
Em 2024, foram 1.043 pontos.
A queda foi de aproximadamente 47,4%.
Na categoria “Outros Programas e Projetos”, a redução foi ainda maior: de 1.102,5 para 472,5 pontos, queda de 57,1%.
Nos Jogos Estudantis Arcoenses, a pontuação caiu de 245 para apenas 28 pontos.
Ou seja, o problema da gestão esportiva municipal não começou com o JEMG. O evento apenas tornou ainda mais evidente a necessidade de uma estrutura eficiente de cadastramento e comprovação.
Enquanto isso, Arcos despenca
A situação ganha dimensão quando se observa o histórico.
Arcos chegou à 57ª posição no ranking estadual do ICMS Esportivo em 2018.
Agora aparece em 395º lugar no resultado preliminar do ano-base 2025.
São 338 posições de diferença.
Enquanto Arcos perde espaço, municípios da região aparecem entre os melhores colocados de Minas Gerais. Lagoa da Prata ficou em primeiro lugar; Nova Serrana, em sexto; Bom Despacho, em oitavo; Luz, em nono; e Divinópolis, em décimo.
O cenário mostra que a queda não pode ser explicada simplesmente pelo aumento da concorrência.
Secretaria de Esportes precisa explicar
Diante dos números, a principal responsabilidade pela explicação está na Secretaria Municipal de Esportes de Arcos.
A pasta precisa informar quantos eventos foram realizados em 2025, quantos foram cadastrados no sistema do ICMS Esportivo, quais deixaram de ser registrados e quais tiveram a pontuação reduzida ou foram reprovados.
Também precisa esclarecer especificamente como o JEMG realizado em Arcos foi contabilizado para o ICMS Esportivo.
A pergunta é simples:
Se o ICMS Esportivo foi utilizado como argumento para trazer o JEMG para a cidade, por que a Secretaria Municipal de Esportes não garantiu que todas as atividades passíveis de pontuação fossem devidamente cadastradas?
Dinheiro público exige gestão pública
A questão não é apenas esportiva.
O ICMS Esportivo representa recursos que retornam aos municípios. Portanto, uma queda de desempenho pode significar menos dinheiro para Arcos.
Ainda não é possível estabelecer o valor exato que o município poderá deixar de receber em razão do resultado de 2025, porque a apuração é preliminar e o cálculo definitivo depende do índice estadual.
Mas uma coisa é clara: quando a Prefeitura deixa de transformar atividades esportivas realizadas em pontuação válida, perde capacidade de disputar recursos.
E quem perde, no final, é o próprio município.
O JEMG não pode ser apenas fotografia
Trazer o JEMG para Arcos foi importante para os atletas e para o esporte local.
Mas um evento desse tamanho não pode ser utilizado apenas como vitrine administrativa.
Se o argumento era que a competição também contribuiria para o ICMS Esportivo, a obrigação da Secretaria Municipal de Esportes era garantir que os procedimentos necessários fossem cumpridos.
O evento aconteceu. Os atletas vieram. As competições foram realizadas. O investimento público foi feito.
Agora falta responder se a Prefeitura fez a sua parte na hora de transformar tudo isso em pontuação.
Porque, no fim das contas, não adianta comemorar o JEMG como conquista para o ICMS Esportivo e depois deixar pontos e possivelmente dinheiro pelo caminho.
