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Home » Lotes sujos, dengue e omissão: quando a prevenção custa menos que a emergência em Arcos
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Lotes sujos, dengue e omissão: quando a prevenção custa menos que a emergência em Arcos

Marcelo RibeiroPor Marcelo Ribeiro10 de maio de 2026Nenhum comentário3 minutos de leitura
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Em Arcos, o avanço da dengue voltou a acender um alerta que já deveria ter sido tratado com rigor muito antes de qualquer cenário de emergência. Enquanto o poder público reforça campanhas pedindo que a população elimine recipientes com água parada dentro de casa, uma parte importante do problema continua visível a céu aberto: lotes vagos tomados por mato alto, lixo e acúmulo de materiais que favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Em vários pontos da cidade, moradores relatam que convivem diariamente com terrenos abandonados há meses; em alguns casos, há anos; sem que medidas mais firmes sejam adotadas. O sentimento de quem mora ao lado desses imóveis é de abandono e indignação. Afinal, quando um lote permanece sem limpeza, o risco não fica restrito ao proprietário. Ele se espalha pela vizinhança inteira.

Continua após o vídeo:

O discurso oficial costuma concentrar a responsabilidade na população em geral. É verdade que o combate à dengue depende da participação coletiva. Mas também é verdade que o município possui instrumentos legais para agir quando um terreno particular representa risco à saúde pública.

A pergunta que muitos moradores fazem é simples: por que tantos lotes permanecem sem fiscalização efetiva e sem multas exemplares?

Nos bastidores, o comentário recorrente é de que parte desses imóveis pertence a pessoas de alto poder aquisitivo ou com influência social e política na cidade. E, diante disso, a cobrança rigorosa acaba sendo substituída pela tolerância. Existe também a percepção de que autuar proprietários poderia gerar desgaste político e perda de apoio eleitoral.

Se essa leitura estiver correta, o problema deixa de ser apenas sanitário e passa a ser também uma questão de gestão pública.

Quando a fiscalização falha, a consequência costuma chegar depois; e mais cara. O município passa a conviver com aumento de casos, maior pressão sobre as unidades de saúde, necessidade de mobilização emergencial de equipes, compra acelerada de insumos, intensificação de ações de combate e, em situações extremas, decretos de emergência.

E decreto de emergência não é solução. É reação tardia.

Além do impacto direto na saúde das famílias, esse tipo de medida também pesa no bolso do contribuinte. Recursos públicos que poderiam ser usados de forma preventiva; com fiscalização contínua, limpeza compulsória de terrenos abandonados, aplicação de multas e políticas permanentes de controle; acabam sendo direcionados para apagar incêndios administrativos.

Em outras palavras: a omissão preventiva gera despesa pública, e essa conta sempre chega para a população.

O morador que limpa seu quintal, cuida da calha e elimina recipientes com água parada tem razão ao cobrar que o mesmo rigor seja aplicado aos proprietários de lotes abandonados. O combate à dengue perde credibilidade quando a responsabilidade parece recair apenas sobre quem já faz sua parte.

Arcos precisa enfrentar esse debate com seriedade.

A cidade não precisa apenas de campanhas educativas. Precisa de fiscalização imparcial, coragem administrativa e aplicação da lei sem distinção de sobrenome, patrimônio ou influência.

Porque, quando um lote sujo permanece intocado, não é apenas o mato que cresce.

Cresce também a sensação de que, em vez de prevenir, o poder público espera a crise chegar; e, quando ela chega, quem paga a conta é toda a cidade.

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