A votação do Projeto de Lei nº 19/2026, que autoriza a contratação de uma operação de crédito pela Prefeitura de Arcos, foi marcada por discursos contundentes dos vereadores que se posicionaram contra a proposta. Durante a sessão, Jaiane Soares (Republicanos), Alex Didier (SD) e João Paulo Ferreira, o Joãozinho (PSD), apresentaram argumentos voltados à fiscalização da administração municipal e aos impactos que o empréstimo poderá causar no futuro do município.
A vereadora Jaiane Soares concentrou sua fala na situação da saúde pública. Segundo ela, a administração municipal tem deixado de realizar reformas em unidades básicas de saúde que atendem bairros de menor poder aquisitivo, enquanto busca autorização para contratar um empréstimo milionário.
Durante seu pronunciamento, a parlamentar exibiu imagens das condições de algumas unidades de saúde, afirmando que elas poderiam e deveriam ter recebido investimentos ao longo dos últimos anos. Para Jaiane, a falta de manutenção demonstra prioridades equivocadas da administração, que, em sua avaliação, deixou estruturas essenciais chegarem a um estado de deterioração.
A vereadora também fez um alerta sobre a Reforma Tributária, lembrando que as mudanças previstas na distribuição da arrecadação entre União, estados e municípios poderão reduzir significativamente as receitas de diversas cidades brasileiras. Segundo ela, embora os efeitos mais severos não sejam sentidos pela atual gestão, a próxima administração poderá encontrar um município com menor capacidade de arrecadação e ainda responsável pelo pagamento de um financiamento de milhões de reais, comprometendo investimentos e serviços públicos.
O vereador Alex Didier (SD) utilizou a tribuna para relembrar episódios que, segundo ele, demonstram uma relação conturbada entre o Executivo e o Legislativo. Didier criticou a alteração da Lei Orgânica do Município que retirou o impedimento para a nomeação do irmão do prefeito ao cargo de secretário de Governo, afirmando que a mudança ocorreu para permitir essa indicação.
O parlamentar também declarou que, à época, vereadores procuraram o prefeito Wellington Roque em busca de esclarecimentos sobre a situação. Conforme relatou durante a sessão, o encontro terminou de forma negativa, com o prefeito se exaltando, elevando o tom de voz e tratando os parlamentares de maneira desrespeitosa dentro do gabinete. As declarações refletem o relato feito pelo vereador durante a sessão.
Já o vereador João Paulo Ferreira, o Joãozinho (PSD), direcionou sua fala à gestão financeira da Prefeitura. Em seu discurso, defendeu que o dinheiro público deve ser administrado com planejamento, responsabilidade e previsibilidade, argumentando que recorrer ao endividamento não pode ser a primeira alternativa quando faltam investimentos em áreas prioritárias.
Para Joãozinho, cabe ao Executivo realizar um planejamento eficiente das receitas e despesas do município, evitando que futuras administrações herdem compromissos financeiros que possam limitar investimentos em saúde, educação, infraestrutura e demais serviços essenciais.
Os três pronunciamentos reforçaram o posicionamento contrário ao projeto de empréstimo e evidenciaram preocupações não apenas com a contratação da operação de crédito, mas também com a forma como os recursos públicos vêm sendo administrados e com os reflexos que as decisões tomadas hoje poderão gerar para Arcos nos próximos anos.
