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Home » Prefeito veta proteção de mina d’água alegando invasão de competência.
Agora

Prefeito veta proteção de mina d’água alegando invasão de competência.

Marcelo RibeiroPor Marcelo Ribeiro10 de junho de 2026Atualizada:10 de junho de 2026Nenhum comentário6 minutos de leitura
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O veto do prefeito Wellington Roque ao Projeto de Lei nº 015/2026, que previa medidas de proteção para uma mina d’água no município, reacendeu o debate sobre os critérios adotados pelo Executivo em Arcos. A justificativa oficial apresentada ao Legislativo foi a de que o projeto “invade competência exclusiva do Poder Executivo” e poderia gerar despesas sem previsão orçamentária.

A decisão agora será analisada pela Câmara Municipal, que poderá manter ou derrubar o veto.

O ponto que chamou atenção

A justificativa usada pelo prefeito contrasta com casos recentes em que projetos de vereadores também criaram programas, ações e obrigações para a Prefeitura — mas foram aprovados e sancionados normalmente.

projeto_de_lei_n_15-2026_-_preservacao_da_nascente_do_parque_ecologico_iva_teixeira_cardosoBaixar

Um dos exemplos é o Projeto de Lei nº 004/2025, do vereador Hernane Queijinho, que instituiu o Programa Municipal de Prevenção e Controle do Diabetes na rede pública de ensino. O texto determinava ações como acompanhamento de estudantes, campanhas educativas, incentivo à alimentação saudável e outras medidas a serem executadas pelo Município. O projeto foi aprovado por unanimidade e seguiu para sanção do Executivo.

Outro caso semelhante foi a lei que autorizou o fornecimento gratuito de sensores de monitoramento contínuo de glicose para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1, também de autoria do vereador Hernane Queijinho. A proposta foi sancionada e transformada em lei municipal.

Por que um projeto “invade competência” e o outro não?

O veto do prefeito Wellington Roque ao Projeto de Lei nº 015/2026, de autoria do vereador Alex Gracieres Ribeiro, abriu um novo capítulo no debate entre Executivo e Legislativo em Arcos.

A proposta reconhecia como de interesse público a nascente localizada no Parque Ecológico Iva Teixeira Cardoso e determinava uma série de medidas para sua preservação e utilização sustentável pela população.

Entre as medidas previstas estavam a proteção e recuperação da área da nascente, análises periódicas da qualidade da água, implantação de estrutura adequada para captação e uso seguro da água, sinalização do local, campanhas educativas e possibilidade de convênios com órgãos ambientais, instituições e associações comunitárias.

Segundo o Executivo, o projeto deveria ser vetado por invadir competências exclusivas da Prefeitura e gerar despesas sem previsão orçamentária.

Agora, a decisão retorna para a Câmara Municipal, que terá a palavra final sobre a manutenção ou derrubada do veto.

A comparação que gera questionamentos

O argumento utilizado pelo Executivo levanta uma discussão inevitável.

Em 2025, a Câmara Municipal aprovou projeto de autoria do vereador Hernane Queijinho criando o Programa Municipal de Prevenção e Controle do Diabetes na rede pública de ensino. A proposta estabelecia ações permanentes a serem desenvolvidas pela administração municipal, incluindo campanhas educativas, acompanhamento de estudantes e outras medidas coordenadas pelo Poder Executivo.

Posteriormente, outro projeto do mesmo vereador autorizando o fornecimento gratuito de sensores de monitoramento contínuo de glicose para crianças e adolescentes com diabetes tipo 1 também foi sancionado e transformado em lei municipal.

Diante desse histórico, vereadores e observadores da política local questionam: se a criação de programas municipais voltados à saúde não configurou invasão de competência, por que a proteção de uma nascente pública passou a ser considerada inconstitucional?

Falta de recursos ou prioridade administrativa?

Outro ponto polêmico envolve a alegação de impacto financeiro.

Embora o veto mencione custos para execução das medidas previstas no projeto, críticos da decisão lembram que a Prefeitura realizou gastos milionários com eventos e festividades. Segundo contratos e empenhos públicos analisados, os investimentos em festas e eventos ultrapassam R$ 6 milhões.

Para esses críticos, a questão deixa de ser apenas jurídica e passa a ser política: o município encontra recursos para determinadas áreas, mas considera inviável investir na proteção de uma nascente pública que poderá beneficiar gerações futuras.

A discussão, portanto, passa a envolver não apenas a legalidade do projeto, mas também as prioridades definidas pela administração municipal.

O que estava em jogo

A proposta não tratava apenas da preservação ambiental.

O texto previa que a nascente pudesse ser utilizada para abastecimento comunitário, educação ambiental, turismo ecológico e uso público controlado, transformando o local em um patrimônio ambiental protegido e acessível à população.

Na justificativa apresentada à Câmara, o vereador Alex Gracieres destacou a importância da preservação dos recursos hídricos diante das crescentes preocupações com a escassez de água e a degradação ambiental, além do potencial educativo, comunitário e turístico da área.

O silêncio que também merece explicação

Enquanto vereadores discutem o veto ao projeto de proteção da nascente do Parque Ecológico Iva Teixeira Cardoso, uma ausência chama atenção: a de parte da imprensa local.

Quando decisões do Legislativo geram desgaste para adversários políticos, a repercussão costuma ser imediata. Mas quando o questionamento envolve o próprio Executivo, temas relevantes parecem desaparecer do debate público.

O resultado é uma cobertura seletiva que, intencionalmente ou não, acaba blindando a administração municipal de questionamentos legítimos da sociedade.

No caso da nascente, o debate não envolve apenas uma questão ambiental. Trata-se também da coerência dos critérios adotados pelo Executivo. Afinal, se projetos que criam programas e responsabilidades para a Prefeitura foram sancionados anteriormente, por que agora a justificativa da invasão de competência se tornou motivo suficiente para barrar uma proposta voltada à preservação de um patrimônio natural do município?

A população tem o direito de conhecer os argumentos dos dois lados e formar sua própria opinião. E isso somente é possível quando os fatos são apresentados de forma ampla, transparente e sem filtros políticos.

O papel da imprensa não é defender governo nem oposição. É informar, questionar e fiscalizar. Quando esse papel é exercido apenas em determinadas situações, quem perde é a população.

A decisão agora é da Câmara

O veto será submetido aos vereadores, que terão a palavra final sobre a matéria.

Mais do que uma discussão sobre uma nascente, a votação poderá definir qual entendimento prevalecerá em Arcos: o de que vereadores podem propor políticas públicas de interesse coletivo ou o de que determinadas iniciativas devem partir exclusivamente do Executivo.

Enquanto isso, uma pergunta continua ecoando nos corredores da política local: por que um projeto voltado à saúde foi sancionado e outro voltado à preservação ambiental foi vetado sob o argumento de invasão de competência?

E outra pergunta começa a surgir entre os cidadãos: se o tema envolve meio ambiente, interesse público e possíveis contradições administrativas, por que tão poucos estão dispostos a discutir isso publicamente?

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Marcelo Ribeiro
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