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Arcos e Região

Fiscalização do SIM e compra emergencial de carne no valor de R$ 298.503,04 mostram suspeita de perseguição em Arcos

Marcelo RibeiroPor Marcelo Ribeiro3 de outubro de 2026Atualizada:3 de outubro de 2026Nenhum comentário7 minutos de leitura
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A sequência de atos envolvendo a fiscalização do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) de Arcos, a suspensão do SIM 02/2023 da MB Entreposto de Carnes e uma contratação emergencial de R$ 298.503,04 para aquisição de carne está sendo questionada judicialmente. A empresa sustenta que o auto de fiscalização de 8 de abril de 2026 apresenta vício de competência e afirma que a medida ocorreu após um conflito público com um ex-secretário municipal. A Prefeitura ainda precisa esclarecer oficialmente a relação entre os episódios.

O caso envolve também o processo judicial nº 1000885-23.2026.8.13.0042, que tramita na Justiça, e uma contratação emergencial para fornecimento de carnes destinada a serviços públicos municipais.

Fiscalização ocorreu em 8 de abril

Segundo os documentos apresentados à reportagem, a fiscalização que atingiu o estabelecimento ocorreu em 8 de abril de 2026.

A defesa da empresa, representada pelo escritório Correia Gomes Advocacia, OAB/MG 177.294, questiona a competência dos agentes responsáveis pelo auto.

No requerimento administrativo protocolado no SIM de Arcos em 9 de abril, apenas um dia depois da fiscalização, a empresa pede o cancelamento do Auto de Fiscalização e da suspensão do SIM 02/2023.

Entre os argumentos apresentados está a alegação de que o documento teria sido assinado, no campo destinado à autoridade fiscal, por servidores que exerciam funções temporárias de assistentes administrativos.

A defesa também questiona a participação de estagiário na fiscalização e sustenta que atos de fiscalização sanitária sujeitos ao exercício do poder de polícia deveriam ser praticados por profissional legalmente habilitado, especialmente médico-veterinário integrante do serviço oficial.

A tese ainda será submetida à análise das autoridades administrativas e judiciais.

Empresa relaciona episódio a conflito anterior

Além da discussão técnica sobre a fiscalização, a empresa aponta um episódio anterior como possível contexto para o que ocorreu posteriormente.

Segundo o empresário, o conflito começou após declarações feitas por um ex-secretário municipal de Integração Social em uma rádio local.

Durante o programa, o então secretário teria atribuído à empresa a responsabilidade pela não entrega de cestas básicas à população.

O empresário participou do programa e contestou publicamente a declaração, afirmando que as entregas estavam regulares e que não havia problema por parte da empresa no cumprimento das obrigações assumidas.

A partir desse episódio, o empresário passou a sustentar que os atos administrativos posteriores contra a empresa poderiam representar uma forma de retaliação.

Essa relação, entretanto, é uma alegação do empresário e não está estabelecida judicialmente.

Procurado para responder às declarações e esclarecer sua versão sobre o episódio das cestas básicas e sobre eventual relação com os fatos posteriores, o ex-secretário preferiu não se manifestar.

Ouça o audio:

Um dia depois, empresa pediu cancelamento do auto

A cronologia apresentada nos documentos é um dos pontos centrais da controvérsia.

8 de abril de 2026: fiscalização no estabelecimento.

9 de abril de 2026: protocolo do requerimento administrativo solicitando o cancelamento do Auto de Fiscalização e da suspensão do SIM 02/2023.

Abril de 2026: contratação emergencial para aquisição de carnes no valor informado de R$ 298.503,04, pelo período de 90 dias.

A proximidade temporal entre os acontecimentos não comprova, por si só, que um ato tenha provocado o outro. Mas a sequência é relevante para a análise administrativa e judicial do caso.

Veja o vídeo da fiscalização:

Contratação emergencial passa a ser outro ponto de questionamento

A contratação emergencial também precisa ser analisada dentro do contexto da suspensão do fornecedor local.

A Lei nº 14.133/2021 permite a contratação direta em situações emergenciais para evitar prejuízos ou comprometer a continuidade de serviços públicos. A legislação também prevê a apuração da responsabilidade de agentes públicos que tenham dado causa à situação emergencial.

Por isso, uma das questões centrais é saber qual foi exatamente a origem da emergência utilizada para justificar a contratação e se houve relação entre a suspensão do fornecedor local e a necessidade de compra emergencial.

Isso não significa que a contratação seja automaticamente ilegal.

Para estabelecer eventual irregularidade seria necessário analisar o processo completo da dispensa, a justificativa apresentada pela Administração, os contratos anteriores, a situação do fornecimento e a relação jurídica entre a suspensão do SIM e a contratação posterior.

Caso chegou à Justiça

A disputa já está sendo discutida judicialmente no processo 1000885-23.2026.8.13.0042.

A empresa busca questionar os atos administrativos relacionados ao seu estabelecimento e ao SIM 02/2023.

Um dos pontos que deverá ser analisado é justamente a legalidade do procedimento de fiscalização e a competência dos agentes que participaram da lavratura do auto.

Caso a Justiça reconheça alguma nulidade, será necessário avaliar quais atos posteriores foram efetivamente atingidos e se existe relação jurídica entre eles.

Portanto, neste momento, não é possível afirmar que a contratação emergencial seja nula apenas em razão da contestação apresentada pela empresa.

O contraste com o lactário municipal

A controvérsia também ganha outro elemento diante das condições estruturais atribuídas ao lactário municipal.

Documentos e imagens apresentados à reportagem mostram problemas no teto da estrutura, incluindo parte aparentemente escorada, enquanto o espaço continua sendo utilizado.

A situação levanta uma questão objetiva: quais critérios técnicos são utilizados pelo município para determinar a interdição ou continuidade de funcionamento de estabelecimentos relacionados à manipulação e fornecimento de alimentos?

A comparação não significa que os dois casos sejam tecnicamente idênticos.

São estabelecimentos diferentes, submetidos a procedimentos específicos. Entretanto, diante da atuação rigorosa do poder público sobre um estabelecimento privado, é legítimo questionar se os mesmos critérios sanitários são aplicados às estruturas mantidas pela própria Administração.

O que precisa ser esclarecido

A documentação disponível permite formular perguntas objetivas à Prefeitura:

  • Quem realizou a fiscalização do estabelecimento em 8 de abril?
  • Qual era a função de cada servidor que participou da fiscalização?
  • Havia médico-veterinário oficial do SIM no momento da inspeção?
  • Qual foi a participação do estagiário?
  • Quem determinou a suspensão do SIM 02/2023?
  • Qual foi a fundamentação técnica utilizada?
  • O pedido de cancelamento protocolado em 9 de abril foi analisado?
  • Qual foi a justificativa formal para a contratação emergencial de R$ 298.503,04?
  • A emergência foi provocada pela suspensão do fornecedor local?
  • Qual foi a necessidade concreta que justificou a contratação por dispensa?
  • Qual é atualmente a situação do SIM 02/2023?
  • Quais providências foram adotadas em relação às condições estruturais do lactário?
  • A Prefeitura investigou a denúncia apresentada pela empresa sobre a fiscalização?

Há ainda uma questão de natureza institucional: houve algum vínculo entre o conflito público envolvendo as cestas básicas e as medidas administrativas posteriormente adotadas contra a empresa?

Até o momento, essa última relação é sustentada pelo empresário, mas não está comprovada por decisão judicial ou documento conclusivo.

Conexão Arcos acompanha o caso

O episódio reúne questões administrativas, sanitárias e jurídicas que envolvem dinheiro público e o funcionamento do serviço municipal de alimentação.

A reportagem continuará acompanhando o processo judicial e os atos administrativos relacionados ao SIM 02/2023, à contratação emergencial e ao fornecimento de carnes para a rede municipal.

O Conexão Arcos encaminhará os questionamentos à Prefeitura de Arcos e aos setores responsáveis. Caso o município apresente esclarecimentos, a manifestação será incorporada à reportagem.

Até que haja decisão definitiva, a reportagem trata como fatos documentados a existência dos atos administrativos e dos protocolos apresentados; como alegações da empresa, a existência de perseguição ou retaliação; e como questões ainda a serem esclarecidas, eventual relação causal entre o conflito anterior, a fiscalização, a suspensão do SIM e a contratação emergencial.

A lista de documentação está disponível na redação do portal.

O caso foi denunciado ao Ministério Público pelo Conexão Arcos e esperamos providências.

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Marcelo Ribeiro
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