O contingenciamento de recursos promovido pelo Governo Federal levou o Exército Brasileiro a interromper operações de monitoramento e combate ao crime organizado nas regiões de fronteira do país. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (8).
De acordo com informações apuradas por fontes ligadas à área militar, o bloqueio no orçamento do Ministério da Defesa chegou a R$ 4,3 bilhões em 2026, sendo que aproximadamente R$ 1,5 bilhão seria destinado às ações do Exército.
As operações afetadas são desenvolvidas principalmente pelo Comando Militar da Amazônia e pelo Comando Militar do Oeste, responsáveis pelo monitoramento de áreas estratégicas utilizadas para o tráfico internacional de drogas, contrabando, garimpo ilegal e outros crimes transfronteiriços.
A suspensão ocorre em um momento de crescente preocupação internacional com a atuação das grandes organizações criminosas brasileiras. Recentemente, autoridades norte-americanas passaram a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, posição que não é compartilhada pelo governo brasileiro.
Entre as operações impactadas está a Operação Ágata, considerada uma das principais iniciativas de repressão aos crimes nas fronteiras do Brasil. Somente neste ano, a ação resultou na apreensão de mais de 15 toneladas de drogas, além da inutilização de dezenas de equipamentos utilizados em atividades ilegais, como dragas de garimpo e balsas empregadas em crimes ambientais.
Até o fechamento desta matéria, o Ministério da Defesa não havia se manifestado oficialmente sobre a suspensão das operações.
