Solenidade de hasteamento da bandeira em comemoração ao 7 de Setembro, realizada nesta segunda-feira (7), em Arcos, terminou marcada menos pela mobilização popular e mais pelos sinais de enfraquecimento político da administração do prefeito Wellington Roque. Além do público reduzido, o evento não contou com a presença do vice-prefeito Ronaldo da Arcolub e reuniu apenas três dos nove vereadores do município.
Estiveram presentes o presidente da Câmara, Hernane Honório Dias, o vereador Carlos David Borges e José Agenor da Silva, o Genorinho. Ficaram ausentes Jaiane Soares, Alex Didier, Kátia Mateus, Leslie Mariana, Orlando Martins e Joãozinho.
A lista de ausências chama atenção porque se tratava de uma solenidade oficial e de caráter cívico. A falta do próprio vice-prefeito e da maioria absoluta da Câmara expôs uma administração que, pelo menos naquele evento, demonstrou dificuldade para reunir sua própria base política.
O cenário foi agravado pela baixa participação popular. A cerimônia contou com diretores de escolas e integrantes da estrutura administrativa municipal, incluindo ocupantes de cargos comissionados, enquanto a presença espontânea de moradores ficou aquém do que se poderia esperar para uma celebração do Dia da Independência.
Mais discurso, menos gente
Durante mais de 20 minutos, Wellington Roque discursou e voltou a afirmar que há vários anos trabalha cuidando de pessoas.
O discurso, entretanto, contrasta com críticas que vêm sendo apresentadas sobre a atuação do poder público e sobre serviços oferecidos à população. Entre os questionamentos está a cobrança de valores que chegam a R$ 600 por consultas médicas, apontada por críticos como incompatível com a ideia de que o cuidado com as pessoas sempre ocorreu de forma gratuita.
O prefeito também aproveitou a solenidade para atacar seus críticos. Ao comentar as manifestações da oposição e de veículos de comunicação, classificou como “narrativas” informações e questionamentos que vêm sendo apresentados sobre sua administração.
Entre os temas questionados estão a queda no retorno do ICMS, a falta de estrutura em determinadas repartições públicas e as críticas à condução política da Exposição de Arcos.
Ao chamar esses questionamentos de “narrativas”, o prefeito evita, segundo seus críticos, enfrentar diretamente o conteúdo das denúncias. São justamente números, documentos, condições de prédios públicos e decisões administrativas que precisam ser discutidos pela população.
O retrato de um governo mais isolado?
A fotografia política do 7 de Setembro é difícil de ignorar.
O vice-prefeito não estava presente. Seis dos nove vereadores também não. E o público popular foi pequeno.
É evidente que uma ausência individual não significa rompimento político. Mas, quando o vice-prefeito e dois terços da Câmara não participam de uma solenidade oficial, o fato inevitavelmente produz uma leitura política.
O prefeito, que deveria ser uma das principais figuras de mobilização institucional da cidade, acabou discursando diante de um público composto em boa medida por integrantes da própria estrutura administrativa.
Para seus adversários, o episódio representa mais um sinal de enfraquecimento político. Para a população, fica a imagem de um governo que parece encontrar cada vez mais dificuldades para transformar estrutura administrativa em participação popular.
Quem salvou a manhã
Se houve momentos de maior entusiasmo durante a solenidade, eles vieram da música.
A Banda Arcos de Som e a Fanfarra Gastão Quirino foram as atrações que mais deram vida ao evento. As apresentações contribuíram para preservar o caráter cívico da comemoração e proporcionaram os momentos de maior participação e envolvimento do público.
Fora isso, a solenidade terminou deixando uma imagem política que dificilmente será ignorada.
O 7 de Setembro deveria representar união em torno da Independência do Brasil. Em Arcos, acabou revelando uma administração que enfrenta críticas, uma Câmara dividida e uma participação popular reduzida.
E talvez o fato mais simbólico da manhã tenha sido justamente aquilo que não estava no palco: o vice-prefeito e seis dos nove vereadores.
Em política, presença também é mensagem. E, no 7 de Setembro de 2026, as ausências falaram alto.
