O tempo começa a mudar e, para quem mora na Rua Tenente Florêncio Nunes, no bairro Brasília, em Arcos, a preocupação também volta.
Enquanto para muitos moradores a chuva representa apenas uma mudança no clima, para algumas famílias da região ela traz medo: o medo de ver a água novamente invadir suas casas, destruir móveis e transformar minutos de chuva em horas de desespero.
E a pergunta que permanece é simples: por que um problema conhecido há tantos anos ainda não foi definitivamente resolvido, como teria sido prometido pela atual administração?
Um problema que atravessa gerações
Os alagamentos na região não são recentes. Reportagens e relatos de moradores apontam que o problema existe há décadas.
Em dezembro de 2022, por exemplo, duas chuvas atingiram a região e 13 casas foram alagadas. Na ocasião, a Defesa Civil informou que aproximadamente 20 residências poderiam ser afetadas durante precipitações mais fortes.
O problema também já havia chegado à Câmara Municipal.
Em fevereiro de 2021, registros oficiais de reuniões do Legislativo mencionaram a situação da Rua Tenente Florêncio Nunes. Em uma das manifestações, foi registrado que “é só chover que alagam as casas lá”, além de cobrança para que fosse elaborado um projeto capaz de enfrentar o problema.
Ou seja: não se trata de uma situação desconhecida pelo poder público.



A chuva voltou e o problema também
Em janeiro de 2025, uma forte chuva voltou a colocar a rua entre os pontos afetados por alagamentos.
De acordo com informações divulgadas pela Prefeitura e pela Defesa Civil, sete casas foram atingidas e oito pessoas foram afetadas, entre elas um bebê e duas idosas.
Naquele momento, equipes municipais foram mobilizadas para atender os danos provocados pela chuva.
As ações emergenciais são importantes, principalmente quando famílias precisam de ajuda. Mas fica uma questão para os moradores:
até quando será necessário agir depois que a água entra nas casas?
Em 2026, a rua continuou no radar
A preocupação não ficou no passado.
Em janeiro de 2026, o Corpo de Bombeiros realizou ações preventivas em áreas consideradas suscetíveis a alagamentos, enxurradas e inundações. A Rua Tenente Florêncio Nunes estava entre os pontos monitorados.
Dois meses depois, em março, uma nova chuva forte atingiu Arcos. Foram registrados 76 milímetros de chuva em aproximadamente 1h47, e a Rua Tenente Florêncio Nunes novamente apareceu entre os pontos de alagamento registrados.
É uma sequência difícil de ignorar:
2021: cobrança na Câmara.
2022: 13 casas atingidas.
2025: sete casas atingidas e oito pessoas afetadas.
2026: monitoramento preventivo e novo registro de alagamento.
O medo antes da próxima chuva
Agora, com o período chuvoso se aproximando, os moradores voltam a olhar para o céu com preocupação.
Quem já perdeu móveis ou viu a água entrar dentro de casa sabe que o problema não é apenas uma rua molhada.
É patrimônio perdido.
É sujeira.
É medo de sair de casa durante uma tempestade.
É preocupação com crianças e idosos.
É a sensação de não saber se a próxima chuva será apenas uma chuva ou mais uma ocorrência de alagamento.
E é justamente por isso que a discussão precisa ir além das ações emergenciais.
Por que ainda não foi resolvido?
Se o problema é conhecido há décadas, se já foi discutido na Câmara Municipal, se casas continuam sendo atingidas e se a própria Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros reconhecem a região como suscetível a alagamentos, por que uma solução definitiva ainda não foi apresentada aos moradores?
E, principalmente:
o que foi efetivamente executado pela atual administração para resolver o problema, além das ações emergenciais realizadas depois das chuvas?
Os moradores precisam de respostas antes que a próxima tempestade chegue.
Não se trata de impedir que chova. Trata-se de buscar condições para que uma chuva não transforme novamente a vida de famílias em um cenário de prejuízos e medo.
A pergunta agora fica para a administração municipal: qual é a solução prometida para a Rua Tenente Florêncio Nunes e quando ela será efetivamente entregue?
Enquanto as respostas não chegam, os moradores continuam olhando para o céu e torcendo para que a próxima chuva não seja forte demais.