A situação de famílias de baixa renda que aguardam a reforma de suas casas voltou a ser discutida na Câmara Municipal de Arcos. Durante seu pronunciamento, o vereador Alex Didier abordou o caso de 13 residências que, segundo ele, fazem parte de um processo de reforma conduzido pelo município.
A existência de uma contratação pública destinada especificamente a esse grupo de imóveis pode ser confirmada no Portal da Transparência da Prefeitura de Arcos. Trata-se do Processo Licitatório nº 015/2025, Concorrência nº 001/2025, cujo objeto é a contratação de empresa especializada para realizar a manutenção e reforma de 13 residências de famílias de baixa renda no município.
O processo consta atualmente no portal oficial como concluído. A documentação pública, entretanto, não é suficiente, por si só, para afirmar qual é a situação atual de cada uma das 13 casas ou se todas as reformas foram efetivamente executadas.
É justamente nesse ponto que a manifestação do vereador chama atenção.
Vereador relata dificuldades na contratação
Segundo Alex Didier, ele esteve com João Paulo, secretário municipal, para buscar informações sobre o andamento das reformas. De acordo com o relato feito pelo parlamentar, teria havido dificuldades sucessivas com empresas envolvidas no processo.
“A primeira pegou, não entregou; a segunda pegou, não entregou; a terceira pegou, não deu conta de entregar”, afirmou Didier durante o pronunciamento.
Na sequência, o vereador relatou que uma nova tentativa estaria em andamento e que haveria uma impugnação relacionada ao procedimento.
O Conexão Arcos ressalta que essas informações sobre as sucessivas tentativas de contratação e a alegada impugnação são afirmações apresentadas pelo vereador durante seu pronunciamento. Até o momento, não são apresentadas nesta reportagem como fatos definitivamente comprovados.
O que está documentado oficialmente é a existência da licitação destinada às 13 residências.
Famílias podem estar enfrentando despesas com aluguel
Durante a fala, Alex Didier também chamou atenção para a situação de moradores que, segundo seu relato, estariam temporariamente fora de suas casas.
Entre os casos mencionados está o de uma moradora identificada pelo vereador como Dona Geralda, do bairro Esperança. Segundo Didier, ela estaria há aproximadamente um ano e oito meses pagando aluguel porque sua residência não apresentaria condições adequadas de moradia.
O parlamentar também citou outra moradora cuja residência, segundo ele, teria sido parcialmente desmontada, fazendo com que ela permanecesse em um imóvel alugado.
Como essas informações foram apresentadas pelo vereador, o Conexão Arcos as registra como relato parlamentar, sem afirmar, neste momento, que os períodos ou condições mencionados tenham sido comprovados por documentação independente.
Um problema que envolve famílias em situação de vulnerabilidade
A discussão ganha relevância porque o próprio objeto da contratação pública deixa claro que as 13 residências foram selecionadas dentro de uma política voltada a famílias de baixa renda.
Em situações desse tipo, uma obra residencial não representa apenas uma intervenção física no imóvel. Quando uma casa precisa ser desocupada durante uma reforma, a família pode enfrentar despesas adicionais, principalmente quando não dispõe de recursos suficientes para manter simultaneamente aluguel, alimentação, medicamentos e outras necessidades básicas.
Foi justamente essa dimensão social que Alex Didier procurou destacar em sua manifestação.
O vereador citou o caso de Dona Geralda e afirmou que ela receberia aproximadamente R$ 1.600 mensais, segundo o relato feito na Câmara, valor que, conforme sua fala, precisaria atender despesas como aluguel, alimentação e medicamentos.
O Conexão Arcos não trata esses valores e informações pessoais como dados comprovados, mas como informações apresentadas pelo parlamentar, até que possam ser confirmadas por documentação ou diretamente pela própria moradora.
O que os documentos oficiais mostram
A Prefeitura de Arcos possui histórico de contratação de serviços destinados à reforma e manutenção de residências de pessoas de baixa renda.
Em procedimento anterior, o município publicou contratação de serviços de construção civil para reformas e manutenção de residências de pessoas de baixa renda selecionadas pela Secretaria de Integração.
No caso específico das 13 casas, o processo de 2025 estabeleceu como objeto a execução de manutenção e reforma dos imóveis.
A existência do processo, porém, não permite concluir automaticamente que houve atraso, abandono, prejuízo aos cofres públicos ou irregularidade. Para chegar a qualquer dessas conclusões seria necessário analisar o contrato, eventuais ordens de serviço, medições, pagamentos, prazos, notificações, rescisões e demais documentos relacionados à execução.
Perguntas que ficam após o pronunciamento
A fala de Alex Didier coloca questões que podem ser esclarecidas pela administração municipal:
Qual empresa foi contratada para executar as reformas das 13 casas?
Qual foi o valor contratado?
Houve ordem de serviço?
Quantas das 13 reformas foram efetivamente iniciadas e concluídas?
Houve rescisão ou encerramento de contrato?
Existe atualmente uma nova contratação para concluir os serviços?
Há algum procedimento de impugnação em andamento?
Qual é o prazo previsto para a conclusão das reformas?
São perguntas objetivas que permitem transformar uma discussão política em informação verificável para as famílias diretamente envolvidas e para a população.
A cobrança de Alex Didier
Ao final de seu pronunciamento, Alex Didier fez uma cobrança relacionada à condução da política de assistência social e afirmou esperar que a população receba informações concretas sobre a situação.
A manifestação do vereador coloca novamente em evidência um processo que, documentalmente, foi aberto para atender 13 famílias de baixa renda com manutenção e reforma de suas residências.
O ponto central agora é saber qual foi o resultado efetivo da contratação e em que estágio se encontram as obras.
O Conexão Arcos considera fundamental que a Prefeitura esclareça publicamente essas informações, especialmente porque o processo oficial existe e tem objeto claramente definido.
A reportagem também deixa registrado que as afirmações sobre a demora, as tentativas de contratação, a situação das famílias e a eventual impugnação foram atribuídas ao vereador Alex Didier. A Prefeitura de Arcos poderá apresentar sua versão e os documentos referentes à execução do processo, caso queira se manifestar.
