A série “Raio-X da Câmara de Arcos” chega à vereadora Kátia Mateus de Moura Sousa (PL), reeleita em 2024 com 648 votos. Mas, diferente de uma análise exclusivamente sobre sua produção parlamentar, o mandato de Kátia tem um capítulo que merece atenção especial: em 2025, ela ocupou a presidência da Câmara Municipal de Arcos e esteve à frente da estrutura administrativa do Legislativo.
Eleita presidente em 1º de janeiro de 2025, com cinco votos, Kátia comandou a Câmara durante todo aquele ano. Em 2026, deixou a presidência e passou a ocupar a função de 1ª secretária da Mesa Diretora. (arcos.mg.leg.br)
A presidência, nesse contexto, não representa apenas uma posição política. Trata-se também de uma função de comando sobre a estrutura administrativa da Casa, incluindo atos relacionados ao planejamento, contratações e funcionamento do Legislativo.
Um ano no comando da Câmara
Durante sua gestão, Kátia assinou atos administrativos que tiveram impacto sobre o funcionamento e o planejamento financeiro da Câmara.
Um dos documentos mais relevantes é o Plano de Contratações Anual para 2026, aprovado em julho de 2025 durante sua presidência.
O planejamento estimou aproximadamente R$ 6,63 milhões em contratações e despesas para o exercício seguinte.
Entre os valores previstos estavam:
- R$ 300 mil para equipamentos e material permanente;
- R$ 265 mil para material de consumo;
- R$ 120 mil para diárias de pessoal civil;
- R$ 120 mil em outras despesas variáveis de pessoal.
O documento identifica Kátia como responsável pela aprovação do planejamento.
É importante destacar: R$ 6,63 milhões é uma previsão de contratações, não o valor efetivamente gasto pela Câmara. A diferença é fundamental para uma análise jornalística responsável.
Diárias: Kátia definiu as regras em 2025
Outro ato assinado pela então presidente foi a Portaria nº 09/2025, que estabeleceu os valores das diárias de viagem para vereadores e servidores.
A regulamentação fixou valores de R$ 373,11 e R$ 559,62, de acordo com as modalidades estabelecidas na norma.
A decisão coloca Kátia no centro de uma questão que envolve diretamente o uso de recursos públicos: as regras e os valores das diárias durante o período em que ela comandava a Câmara.
Mas há uma diferença que precisa ser preservada: a portaria comprova que ela estabeleceu os valores enquanto presidente, não que tenha recebido essas diárias.
O levantamento individual dos pagamentos precisa ser feito nos registros financeiros da Câmara antes de qualquer conclusão sobre quanto a própria vereadora recebeu.
O poder administrativo por trás do cargo
A presidência também colocou Kátia em uma posição de responsabilidade sobre atos que vão além do plenário.
Durante 2025, a vereadora esteve à frente da instituição que administra recursos públicos, contratos, serviços, servidores e despesas necessárias ao funcionamento do Legislativo.
Por isso, o período de sua presidência merece ser analisado não apenas pelo número de projetos apresentados, mas também pela forma como a Câmara foi planejada e administrada.
É justamente nesse ponto que o Raio-X busca ir além do discurso político: identificar, por meio dos documentos públicos, quais decisões foram tomadas, quais recursos foram previstos e quais valores foram efetivamente pagos.
Produção legislativa mantém foco social
Se administrativamente Kátia teve protagonismo, no plenário seu mandato apresenta uma característica bastante clara: a concentração de propostas em educação, saúde e proteção social.
Entre suas iniciativas estão medidas relacionadas à proteção de mulheres vítimas de violência, atendimento a pessoas com deficiência, proteção de idosos, educação e apoio às chamadas mães atípicas.
Em 2025, por exemplo, foi aprovada a Política Municipal de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa, de sua autoria.
Também é de Kátia a Lei Municipal nº 3.208/2025, relacionada ao atendimento prioritário na saúde e à atenção psicológica de pais, mães e cuidadores de pessoas com deficiência, TEA, doenças raras ou outras condições que demandem acompanhamento específico.
Em 2026, apresentou ainda projeto instituindo o Dia da Mãe Atípica no município.
Fiscalização também aparece entre as prioridades
O SAPL registra diversos requerimentos apresentados pela vereadora.
Em 2026, aparecem solicitações relacionadas à contratação de médicos, reformas de casas, limpeza de bairros, distribuição de kits de maternidade, instalação de brinquedos adaptados e medidas de proteção às mulheres vítimas de violência.
Há, portanto, uma atuação que combina produção legislativa e cobrança de informações e providências do Executivo.
Um mandato que também entrou em choque com decisões do Executivo
Outro episódio relevante ocorreu em torno do Projeto de Lei nº 11/2026, de autoria de Kátia, relacionado à divulgação da relação de medicamentos disponíveis na rede pública.
O Executivo apresentou veto parcial à proposta, levando a discussão para o plenário da Câmara.
O episódio demonstra que a atuação parlamentar da vereadora também alcançou temas diretamente relacionados à transparência e à prestação de serviços públicos.
A questão financeira ainda precisa ser fechada
Apesar dos documentos já permitirem reconstruir parte importante da atuação de Kátia como presidente, não seria responsável transformar previsões orçamentárias em gastos efetivos.
O Plano de Contratações Anual de R$ 6,63 milhões, por exemplo, representa planejamento para 2026.
Da mesma forma, os valores de R$ 373,11 e R$ 559,62 representam os valores regulamentados para diárias em 2025, e não o total recebido por Kátia.
O levantamento definitivo ainda precisa individualizar:
quanto a vereadora recebeu de remuneração; quanto recebeu em diárias; quais viagens realizou; quais outros pagamentos recebeu; e como esses valores se comparam aos dos demais vereadores.
O que o documento revela
O primeiro retrato de Kátia Mateus é o de uma vereadora que ocupou uma posição de poder institucional relevante em 2025.
Ela não foi apenas mais uma integrante do plenário. Durante aquele ano, esteve na presidência da Câmara e assinou atos relacionados ao planejamento administrativo e às regras financeiras do Legislativo.
Ao mesmo tempo, manteve uma agenda parlamentar fortemente concentrada em políticas sociais, educação, saúde, mulheres, idosos e pessoas com deficiência.
O verdadeiro tamanho desse protagonismo, entretanto, não deve ser medido apenas pelo número de projetos.
O próximo passo é colocar os atos administrativos, os gastos efetivamente realizados, as diárias, a remuneração e a presença parlamentar lado a lado.
É esse cruzamento que permitirá responder à principal pergunta do Raio-X da Câmara de Arcos:
