Em muitas escolas municipais de tempo integral, a merenda é preparada diariamente com cuidado, seguindo orientações de nutricionistas e oferecendo uma alimentação equilibrada para todos os alunos.
Mas, durante o recreio, uma cena silenciosa chama a atenção e provoca reflexão.
Enquanto algumas crianças abrem mochilas cheias de biscoitos, salgadinhos, chocolates, sucos e outras guloseimas, outras observam de longe. Muitas delas dependem exclusivamente da merenda escolar e não têm condições de levar qualquer lanche de casa.
Para um adulto, essa diferença pode parecer algo simples. Para uma criança, não.
Na infância, nem sempre existe compreensão sobre questões financeiras ou sociais. O que elas enxergam é apenas que algumas têm e outras não. O resultado pode ser tristeza, constrangimento e até situações em que alunos passam vontade ou procuram restos de comida e bebida deixados pelos colegas.
A escola é um espaço de aprendizado, inclusão e igualdade. Por isso, surge uma pergunta que merece debate entre pais, educadores e gestores públicos: se a merenda já é oferecida com qualidade para todos, por que permitir que alguns alunos consumam lanches particulares dentro do ambiente escolar?
A proposta não busca impedir que famílias cuidem de seus filhos ou ofereçam algo especial. O objetivo seria criar um ambiente mais igualitário, onde todas as crianças compartilhem a mesma alimentação durante o período escolar, sem distinções visíveis que possam gerar sentimentos de exclusão.
Em um mundo marcado por tantas diferenças, a escola pode ser um dos poucos lugares onde todas as crianças se sentem verdadeiramente iguais.
Talvez esteja na hora de discutir se o recreio deve ser um momento de integração ou uma vitrine involuntária das desigualdades que já existem fora dos muros da escola.
Porque nenhuma criança deveria aprender tão cedo o gosto da desigualdade.
