Os novos radares inteligentes que começarão a ser implantados nas rodovias estaduais de Minas Gerais a partir de julho terão atuação muito além da fiscalização de velocidade. Os equipamentos serão utilizados para monitorar o fluxo de veículos, identificar deslocamentos considerados fora do padrão, armazenar informações e realizar cruzamentos de dados com sistemas de segurança pública.
O projeto do Governo de Minas prevê a instalação de 1.300 radares até 2028. Atualmente, as estradas estaduais contam com 614 dispositivos em funcionamento. Nesta primeira fase, serão adicionados mais 210 equipamentos, fazendo com que o número total ultrapasse 800 radares ativos.
De acordo com o diretor de Operação Viária do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), Rodrigo Colares, os equipamentos funcionarão como pontos permanentes de leitura de placas em tempo real. A tecnologia permitirá localizar veículos roubados, identificar trajetos incompatíveis com autorizações especiais de transporte e acompanhar padrões de circulação.
Segundo Colares, veículos que transportam cargas fora das dimensões tradicionais poderão ter suas rotas monitoradas para garantir que trafeguem apenas pelos trechos autorizados, evitando danos ao pavimento e reduzindo riscos de acidentes.
O DER-MG informou que os novos radares utilizarão sistemas automáticos de leitura de placas aliados ao cruzamento de informações para detectar comportamentos considerados irregulares ou incomuns nas rodovias estaduais.
Entre as situações que poderão ser identificadas estão:
- circulação frequente em trajetos específicos;
- deslocamento de veículos pesados fora das rotas permitidas;
- formação de comboios;
- veículos com histórico de irregularidades;
- possíveis transportes clandestinos;
- veículos roubados ou clonados.
O órgão explicou que a identificação de comboios é uma das funcionalidades do sistema, já que veículos circulando juntos repetidamente podem indicar atuação de batedores ligados a cargas ilegais ou roubadas.
Rodrigo Colares comparou o funcionamento da tecnologia aos sistemas de triagem utilizados em aeroportos, afirmando que o monitoramento será baseado em padrões, históricos e rotas associadas a irregularidades, e não em ações aleatórias.
Ainda segundo o diretor, as análises considerarão dados históricos relacionados tanto aos veículos quanto aos trajetos percorridos nas rodovias estaduais.
O DER-MG afirmou que as informações coletadas não serão disponibilizadas publicamente e deverão permanecer armazenadas por cerca de 30 dias nas bases do sistema.
Em casos específicos, no entanto, os dados poderão ser mantidos por períodos maiores por outros órgãos competentes. O departamento garantiu ainda que seguirá as diretrizes estabelecidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Além disso, o órgão estuda integrar futuramente os sistemas dos radares com forças de segurança e outros setores do Governo de Minas.
Os novos equipamentos também terão capacidade de identificar irregularidades documentais, como licenciamento vencido e atraso no pagamento do IPVA. As informações servirão de apoio para operações de fiscalização e blitze em regiões com maior circulação de veículos irregulares. Apesar disso, o sistema não aplicará multas automáticas de forma remota neste primeiro momento.
Mesmo sem previsão imediata para autuações automáticas, Rodrigo Colares afirmou que essa possibilidade poderá ser adotada futuramente, à medida que a tecnologia e a legislação avancem.
Segundo ele, a prioridade inicial é utilizar os sistemas como ferramenta educativa e de apoio aos motoristas, mas, no futuro, com as integrações e regulamentações consolidadas, a autuação automática poderá se tornar viável.
Os locais que receberão os primeiros radares foram definidos a partir do cruzamento de dados sobre acidentes, informações da segurança pública e alertas registrados no aplicativo Waze.
O DER-MG informou que analisou registros dos últimos dois anos para identificar os trechos mais perigosos das rodovias estaduais, levando em consideração as mudanças no fluxo de veículos após a pandemia da Covid-19.
De acordo com Colares, foi realizado um trabalho de geoprocessamento utilizando coordenadas dos acidentes registrados, além do cruzamento dessas informações com os alertas do Waze. Segundo ele, aproximadamente 90% dos dados coincidiam.
Com base nesse levantamento, o departamento criou um ranking de prioridades para definir os primeiros 210 pontos que receberão os novos equipamentos.
O DER-MG também destacou os impactos econômicos esperados com a redução de acidentes. Segundo Rodrigo Colares, a utilização dos radares poderá gerar economia superior a R$ 70 milhões relacionados aos custos causados por acidentes nas rodovias estaduais.
Ele ressaltou ainda que os prejuízos financeiros não se comparam à perda de vidas humanas, considerada irreparável.
O departamento também rebateu críticas sobre uma possível finalidade arrecadatória dos radares. Segundo o órgão, menos de 1% dos veículos que passam pelos equipamentos atualmente instalados acabam sendo autuados.
Para o DER-MG, isso demonstra a eficiência da fiscalização. Estudos internacionais apontam que a presença de radares pode reduzir em pelo menos 30% os acidentes em pontos considerados críticos.
Com informações de O Tempo.

