A Câmara Municipal de Arcos definiu sua nova Mesa Diretora, com a eleição do vereador Hernane Queijinho para a presidência do Legislativo.
A vice-presidência ficará com Carlos David, enquanto Kátia Mateus assume o cargo de 1ª secretária e Leslie Mariana o de 2ª secretária. A nova composição marca o início de um novo ciclo administrativo, mas também levanta questionamentos sobre a independência política da Casa.
Kátia Mateus retorna à Mesa após um período à frente da presidência marcado por polêmicas administrativas. Entre os episódios mais comentados está o aumento salarial concedido a um servidor responsável pelo atendimento telefônico, nomeado como assessor da Câmara no dia 08 de janeiro de 2025, indicação da vereadora.
A eleição da nova Mesa também evidencia um cenário de alinhamento quase total do Legislativo ao Executivo Municipal. Vereadores que anteriormente se posicionavam como oposição passaram a integrar a base governista, movimento atribuído, segundo avaliações políticas locais, à ocupação de cargos públicos por familiares e aliados, prática que compromete o equilíbrio entre os poderes.
O vice-presidente eleito, Karlos David, é visto por analistas políticos como um parlamentar de baixa projeção e pouca capacidade de articulação, com dificuldades de protagonismo nos debates do plenário. Já Leslie Mariana, como segunda secretária, mantém um perfil de discursos frequentes, porém sem atuação combativa ou fiscalizatória mais consistente.
Com uma Câmara praticamente sem oposição efetiva, o Executivo Municipal passa a operar em ambiente confortável. Em 2025, projetos considerados controversos foram aprovados sem resistência significativa, incluindo suplementações orçamentárias elevadas, justificadas oficialmente pela existência de superávit financeiro.
A configuração atual aponta para um 2026 ainda mais favorável ao Executivo, com um Legislativo fragilizado em sua função constitucional de fiscalização e debate. Para a população de Arcos, cresce a preocupação quanto à ausência de contrapontos políticos e à transformação da Câmara em um espaço predominantemente homologatório das decisões do governo municipal.
