Enquanto discursos oficiais insistem em vender uma cidade organizada e em pleno desenvolvimento, a realidade de Arcos grita nas ruas ou melhor, nos buracos espalhados por toda a cidade. Buracos que danificam carros, colocam pedestres em risco e simbolizam muito mais do que falhas no asfalto: representam o abandono da gestão pública e o descaso com quem vive aqui.
A saúde pública é outro retrato fiel desse abandono. Unidades que não funcionam como deveriam, falta de atendimento adequado, demora, estrutura precária e profissionais sobrecarregados. Para quem depende do SUS, a sensação é clara: quando mais se precisa, o serviço simplesmente não responde. Já a educação aparece bem nas fotos e nas propagandas institucionais, mas na prática segue “maquiada”, escondendo problemas estruturais, falta de investimentos reais e um ensino que luta para sobreviver longe dos holofotes da publicidade oficial.
Basta caminhar por qualquer bairro para perceber outro problema ignorado: sujeira e mato por toda a cidade. Lotes abandonados, vias mal cuidadas, praças sem manutenção. O básico não é feito. A zeladoria urbana parece ter sido esquecida junto com o compromisso de cuidar do espaço público.
Mas se falta dinheiro ou vontade política para tapar buracos, limpar ruas e fortalecer serviços essenciais, ele apareceu com rapidez quando o assunto foi festa. O tradicional Carnaval foi substituído por um chamado “pré-carnaval” que custou aos cofres públicos mais de R$ 1 milhão. O resultado? Pouca adesão do público, baixa aceitação popular e uma conta que não fecha. Os gastos com estruturas, banheiros químicos e segurança ultrapassaram, inclusive, os valores pagos pelos shows contratados. Um evento caro, mal planejado e distante da realidade da população.
E durante os dias oficiais de Carnaval? Onde estavam os irmãos que se dizem prefeitos da cidade? Enquanto Arcos seguia sem programação, sem opções e sem explicações claras, o silêncio da administração foi ensurdecedor. Nenhuma prestação de contas convincente, nenhuma resposta à altura da indignação popular.
A insatisfação não está apenas nas ruas, ela domina também o ambiente virtual. As redes sociais estão repletas de reclamações em todas as áreas. São dezenas de moradores denunciando problemas no cuidado com a Prainha, na situação da Usina e na falta de manutenção das estradas rurais. Em cada publicação, multiplicam-se os comentários: centenas de pessoas concordando, relatando experiências semelhantes ou trazendo novas denúncias. O que se vê é um coro crescente de indignação que já não pode ser tratado como casos isolados, mas como reflexo de uma percepção coletiva de abandono.
A pergunta que ecoa entre os moradores é simples e direta: para quem a cidade está sendo administrada? Certamente não para o cidadão que enfrenta ruas esburacadas, serviços públicos ineficientes, mato alto, sujeira, estradas rurais deterioradas e prioridades completamente distorcidas.
Arcos não precisa de maquiagem, propaganda ou festas milionárias sem sentido. Precisa de gestão, responsabilidade, transparência e respeito com o dinheiro público. Acima de tudo, precisa lembrar que cidade não se governa com discursos, mas com ações; e estas, até agora, seguem em falta.
Por Marcelo Ribeiro.
