A saúde pública de Arcos voltou a ser alvo de questionamentos. Desta vez, a cobrança vem de quem conhece a cidade, já ocupou um cargo na administração municipal e, atualmente, depende dos serviços públicos para cuidar da própria saúde.
Em um depoimento divulgado em vídeo, Sérgio, músico e ex-secretário municipal de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo em administrações anteriores, relata uma sequência de dificuldades enfrentadas para conseguir atendimento e encaminhamentos na rede municipal de saúde.
O relato chama a atenção principalmente pela gravidade da situação apresentada: Sérgio afirma estar há quase quatro meses enfrentando uma hemorragia na visão, com risco de perder a capacidade visual, e ainda não conseguiu avançar como esperava no processo para realização de uma cirurgia.
Segundo ele, após passar por atendimento em Iguarapé, recebeu a documentação necessária para solicitar o risco cirúrgico com urgência. Ao procurar a Fumusa, entretanto, encontrou uma série de procedimentos burocráticos que, conforme seu relato, dificultaram o andamento do processo.
Quatro meses de espera e uma preocupação que não pode ser ignorada
Sérgio conta que, ao procurar a Fumusa, foi encaminhado entre diferentes setores. Precisou agendar exames laboratoriais, recebeu orientações para procurar outros profissionais e, ao final, foi informado de que deveria retornar à unidade de saúde do seu bairro para solicitar o risco cirúrgico.
Somente depois de reunir a documentação e retornar ao setor responsável, segundo as orientações que recebeu, seria possível encaminhar o processo para Iguarapé, onde seria organizada a etapa seguinte do procedimento.
A situação ganha contornos ainda mais preocupantes porque Sérgio afirma enfrentar outros problemas de saúde, incluindo complicações relacionadas ao diabetes e à necessidade de hemodiálise.
Ele também relata dificuldades para receber a eritropoetina, medicamento utilizado no tratamento da anemia associada à insuficiência renal. Segundo o depoimento, foi informado de que o medicamento havia chegado, mas não poderia ser entregue naquele momento porque a funcionária responsável pela separação não estava trabalhando.
É importante destacar que Sérgio faz questão de reconhecer o atendimento recebido em sua unidade de saúde. Ele elogia as funcionárias, enfermeiras, técnicas, agentes comunitárias e profissionais da recepção do posto de seu bairro.
A crítica, portanto, é direcionada a determinados setores da estrutura municipal, especialmente aos procedimentos administrativos e à condução dos atendimentos na Fumusa.
Quando a burocracia se torna um obstáculo
O caso levanta uma questão que precisa ser respondida pela Secretaria Municipal de Saúde: até que ponto os procedimentos administrativos estão facilitando o acesso dos pacientes aos serviços de saúde ou se transformando em obstáculos para quem precisa de atendimento?
Quando um cidadão relata estar há quase quatro meses com um problema ocular que, segundo ele, representa risco de perda da visão, a administração precisa explicar quais providências foram adotadas, quais etapas ainda estão pendentes e por que o encaminhamento não avançou no tempo esperado.
Não se trata de questionar a existência de protocolos médicos ou administrativos, que são necessários para organizar o atendimento. Trata-se de saber se esses procedimentos estão funcionando adequadamente diante de situações que exigem atenção e agilidade.
A saúde pública não pode ser avaliada apenas por inaugurações, números apresentados em relatórios ou publicações nas redes sociais. O resultado de uma administração também precisa ser medido pela experiência de quem procura atendimento, pela capacidade de resposta dos serviços e, principalmente, pela assistência oferecida a quem mais precisa.
Ex-secretário cobra explicações do prefeito
Além das dificuldades relacionadas à saúde, Sérgio afirma que já procurou o prefeito Dr. Wellington e pessoas próximas à administração para relatar os problemas que vinha enfrentando.
Segundo ele, depois dessas cobranças, deixou de receber respostas às mensagens e ligações que fazia ao chefe do Executivo e ao irmão do prefeito.
No vídeo, o ex-secretário também questiona as frequentes manifestações públicas da administração sobre a qualidade dos serviços municipais.
“Eu queria que ele me respondesse em qual sentido que a saúde de Arcos está uma maravilha”, questiona.
Em outro momento, Sérgio direciona críticas ao prefeito e questiona quem efetivamente conduz a administração municipal: o chefe do Executivo ou seu irmão.
O entrevistado também faz acusações sobre possíveis favorecimentos a pessoas próximas ao governo. Essas declarações representam sua avaliação pessoal e não foram acompanhadas, no depoimento, de documentos que comprovem as suspeitas apresentadas.
A pergunta que a Prefeitura precisa responder
O depoimento de Sérgio não deve ser tratado como um episódio isolado sem que suas circunstâncias sejam devidamente apuradas.
Sua situação precisa de esclarecimentos, assim como os procedimentos adotados pela rede municipal para pacientes que dependem de encaminhamentos, exames, medicamentos e cirurgias.
O prefeito e a Secretaria Municipal de Saúde precisam explicar como funciona o fluxo de atendimento nesses casos, quais são os prazos, como são tratadas as situações de urgência e quais mecanismos existem para evitar que pacientes fiquem circulando entre setores sem uma solução efetiva.
A administração municipal também precisa esclarecer se tem conhecimento das dificuldades relatadas e quais providências pretende adotar.
Porque, quando alguém enfrenta o risco de perder a visão, não estamos falando de uma disputa política, de oposição ou de situação. Estamos falando de saúde, dignidade e do direito de receber atendimento público.
E fica a pergunta feita pelo próprio cidadão:
Onde está a saúde maravilhosa de Arcos para quem precisa dela de verdade?
O Conexão Arcos abre espaço para que a Prefeitura de Arcos e a Secretaria Municipal de Saúde apresentem suas explicações sobre os fatos relatados.
A população merece respostas. E Sérgio, acima de qualquer divergência política, merece ter sua situação de saúde tratada com a atenção que ela exige.
