Uma cidade não começa quando aparece no mapa. Antes das ruas, das escolas, das empresas e dos prédios públicos, existe uma história. Existem pessoas, famílias, trabalhadores, acontecimentos e raízes que ajudaram a construir aquilo que hoje chamamos de Arcos.
É justamente essa história que precisa chegar às salas de aula.
O livro “A Rota do Calcário”, escrito por Geraldo Ló, apresenta um resgate da história de Arcos e de suas origens, reunindo informações e relatos de historiadores para contar ao leitor aspectos importantes da formação e do desenvolvimento do município.
E aqui fica uma provocação para a educação municipal: por que uma obra que registra a história de Arcos não deveria estar nas mãos dos professores e dentro das escolas municipais?
Mais do que adquirir um livro, trata-se de colocar a história local no lugar onde ela deve estar: na formação das novas gerações.
Uma criança que aprende sobre a história do próprio município não está apenas decorando datas. Ela começa a compreender por que determinados bairros existem, como a cidade se desenvolveu, qual foi a importância de suas atividades econômicas e quem foram as pessoas que ajudaram a construir Arcos.
Professor também precisa conhecer a história que ensina
Não faz sentido esperar que uma criança desenvolva identidade e pertencimento com a cidade se a história local permanecer distante dos conteúdos trabalhados em sala de aula.
Por isso, “A Rota do Calcário” deveria ser leitura obrigatória para os educadores que trabalham com a história de Arcos.
O professor precisa conhecer a cidade que apresenta aos seus alunos. Precisa ter referências, informações e fontes para transformar a história local em conhecimento vivo.
Imagine uma aula em que o professor não apenas diga que Arcos possui uma trajetória ligada ao calcário, mas consiga apresentar aos alunos personagens, acontecimentos, relatos e informações sobre como essa história foi construída.
A aula muda.
A criança deixa de olhar para Arcos apenas como o lugar onde mora e passa a enxergar a cidade como resultado de uma longa trajetória.
Um livro para sair da estante
A proposta não deveria terminar na aquisição do livro.
A Secretaria Municipal de Educação poderia promover um projeto de leitura envolvendo professores e alunos, levando “A Rota do Calcário” para as escolas, bibliotecas e atividades pedagógicas.
O livro poderia servir de ponto de partida para trabalhos de pesquisa, rodas de conversa, produção de textos, exposições, visitas a locais históricos e até entrevistas com moradores antigos.
Geraldo Ló, ao transformar informações históricas e relatos de historiadores em uma obra acessível, oferece uma ferramenta que pode aproximar as crianças da própria cidade.
E fica a pergunta: quantas crianças de Arcos conhecem a história do município onde nasceram?
Talvez seja justamente aí que esteja o papel da escola.
Ensinar matemática, português, ciências e outras disciplinas é indispensável. Mas ensinar uma criança a conhecer, respeitar e compreender as próprias raízes também faz parte da formação de um cidadão.
Arcos tem uma história. Essa história precisa ser contada. E, principalmente, precisa ser conhecida por quem vai construir o futuro da cidade.
Se existe um livro dedicado a registrar essas raízes, talvez tenha chegado a hora de ele deixar de ser apenas uma obra nas mãos de leitores e passar a fazer parte também da vida escolar das crianças arcoenses.
Porque uma cidade que ensina sua história aos seus filhos ajuda a garantir que ela não seja esquecida. 📚
